A ênfase na visão dos 190 milhões de "treinadores" da população brasileira foi sublinhada com uma bela frase e um raciocínio muito bem-vindo:
- Cabe ao técnico da Seleção procurar traduzir para todo esse povo aquilo que ele quer ver. É isso que vou buscar incessantemente fazer. Quando se consegue isso, se consegue o máximo do trabalho - anunciou o novo contratado da CBF.
Com uma convocação já marcada para a tarde de segunda-feira, Mano deixa escapar um sorriso quando é perguntado sobre quando iria trabalhar nesta primeira missão:
- Olha, nós vamos trabalhar na segunda pela manhã, de maneira oficial. Mas é lógico que já estou começando a delinear ideias na minha cabeça. Tenho ainda que ir me inteirando de como funcionam as coisas na Confederação [CBF]... - respondeu.
Mano disse que pretende montar a comissão técnica com calma, mas já adiantou que irá chamar seu assistente no Corinthians, Sidnei Lobo:
- Ele é meu auxiliar direto. Vamos fazer consultas e conversar com algumas pessoas antes de definir outros nomes - comentou.
Confira abaixo a íntegra do depoimento de Mano Menezes.
SER TÉCNICO DA SELEÇÃO BRASILEIRA
Soa bem. Você vai escrevendo uma trajetória, vai construindo isso. Eu digo que a minha é proporcionalmente rápida para o futebol brasileiro. Mas muito segura. Isso me deu boas garantias de que ela vai continuar sendo segura. Quando você se propõe a fazer um novo trabalho, uma etapa mais importante, mais grandiosa, isso passa segurança interna, ajuda muito.
O técnico da seleção brasileira é um privilegiado. Você poder escolher os melhores jogadores para compor uma equipe, dentre os melhores do mundo - e somos os melhores do mundo -, é sem dúvida nenhuma uma oportunidade única.
A DECISÃO DE TROCAR O CORINTHIANS PELA SELEÇÃO
Em nenhum momento me passou pela cabeça recusar o convite. Apenas precisei me certificar de certas coisas. Gosto das coisas muito claras, para estabelecer que tipo de relação a gente vai assumir depois. Eu exijo muito que cumpram comigo aquilo que combinamos. Porque eu vou cumprir aquilo que combinamos.
Uma decisão precisa ser embasada e [que seja] retirada dela a emoção, o orgulho de ter sido escolhido. Ela tem que ser amparada em pilares mais da razão. Na frente isso vai fazer a diferença. Quando você entra de cabeça você tem que apostar da forma mais segura. Durante esse caminho que que eu vim construindo, em muitos momentos eu não queria receber a oportunidade porque entendia que não era o momento. Mas mesmo não querendo eu tinha uma convicção muito grande de que, se acontecesse o convite, eu deveria aceitar! Porque é assim a vida. As trajetórias profissionais não nos oferecem tantas oportunidades ou oportunidades repetidas. Talvez ela não aparecesse novamente... Eu procurei me preparar bem nessa trajetória. Se as pessoas que estão olhando de fora enxergam em mim as condições para fazer o trabalho, eu procuro corresponder.
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